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São tantas escolas escolas que passo na caminho para casa. Para recriar espelhos e dormir sossegado com as maldades do mundo. Sei o que faço quando jogo lixo na rua - o papel de bala que nem gosto (mas a chupo). E não quero saber da origem, fábrica e química colorida. São apenas metais por volta desse espaço. Essa bolha de ar que me faz chorar.

Ou não.

Tudo me faz lembrar aquele filme que não vi.

Me lembro também da criança imbecial e calada que fui no tempo de ser uma. E cada passo é uma dúvida nova. Um segudo a menos para dizer que tantos me olham, mas nenhum diz amor. Ou preferem não comentar sobre o assunto. Estou sozinho na calçada. Caminho com Deus - Deus Que Está e Não Está Comigo. Estranho. Estou com hálito de fuinha, pela fome de vida que não passa nem com pão e margarina e bisteca e reza. E nem com pasta de santa ou saliva humana.

Hoje não quero beijar ninguém.

Estou morrendo de fome. Mentira. Nunca senti fome de verdade.

São tantos problemas na cabeça e nenhum deles igual. As menores estrelas desse céu negro brilham no final do dia. E hoje está tudo tão longe da sexta. Sinto ódio até da minha amiga que dorme agora e não posso ver. Sentir o abraço. Ver o seu sorriso. Falar nossas besteiras. Arrancar caspa do cabelo. Comer torrada. Beber água até cair de tanto mijar. Ficar louco. Sentado no sofá preto da garagem. Adolescentes.

Sou saudades no futuro. Sou saudades do presente. O meu amor morreu. E a saudade nada é mais que eu aqui de cuecas, escrevendo sobre o que penso. E sinto. Como sinto não sentir você.

Na geladeira uma guaraná dudivosa me seduz. O ventilador faz vrumm frio. A televisão muda. As imagens me acalmam. Preciso dormir. Não consigo. Estamos em 2002. E por mim, tanto faz.

Dia longo, mês longo, vida curta.

E amanhã abrirei meus olhos doloridos. Da vontade que hoje não sinto de dormir.

Deixa eu esquecer sobre todo mundo. Deixa eu queimar escolas. Deixa o papel de bala na rua. Pull the trigger. Pull the trigger. Packing out my heart. Para sorrir talvez. Só estou tornando vivas as minhas palavras. Só quero ler, te fazer ler. Deixa eu. Deixa eu. Ser feliz. Ser eu.

Espero pelo nada em nome de tudo.

E meu corpo.

4 COMENTA!:

HSLO disse...

Gostei...

abraços


Hugo

Leandro K. disse...

tomei um susto
me pegou desatento... prosa séria juntou-se à poesia!

FOXX disse...

pq eu não entendi nada?

Edu disse...

Adoro quando você fica "metido a poeta". :-)

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