
Insônia. Mesmo com o corpo bêbado cheio de Gin. Tônica. E mesmo assim, está com insônia. Ligou a TV, um daqueles programas pseudo pornô no Multishow. "Só pra quem tem Multishow", adora esse slogan, riu baixinho e desligou. Foi beber água, bater uma punheta usando camisinha - não queria sujar a barriga, o chão, a camiseta ou seu lençol azul. Durante o ato de fricção no pênis pensou na Cléo Pires peladinha na Playboy. Pediu dinheiro para a sua mãe para comprar a revista. Ela não deu. Ele chorou. Escondido mas chorou. Está desempregado por mais de oito meses - é burro, coitado e ninguém gosta de contratar burros. Gozou na camisinha distribuida gratuitamente pelo governo e imaginou a Dilma do Lula, pelada, batendo siririca. Riu. Mais uma vez e tentou dormir. Mas quem disse que sua cabeça permitiria? Que nada. Ficou pensando no almoço do dia seguinte, dos telefonemas que gostaria de fazer, do Fusca azul 1976 que teve que vender, no seu pai morto e que merda fez da sua vida. Não trepa há oito meses. Talvez só os trabalhadores trepam - pensou. E a Suzana Vieira também. Essa deve transar horrores. Seria o gigolô da atriz louca. Certeza.
Chegou do bar. Pendurou a conta que já deve passar dos 180. O cara só bebe gin tônica. É durango, porém sofisticado. Suas contas bancárias estão em frangalhos. E quer comprar a Playboy da Cléo. Ó Cléo. Ficou de pau duro e puto da vida, ao mesmo tempo. Lembrou da sua única experiência com outro homem. Foi no colegial. Um troca troca que virou uma pequena orgia. Gozaram dentro dele. Seu melhor amigo. Culpa da tequila. João, Marcelo, Aristótles, Pedro, Guitarrinha - os protagonistas da orgia. Não lembra quem comeu quem. Só recorda do João gozando no seu cu. Ficou de puro e puto da vida, ao mesmo tempo. E novamente. Tinha 16 anos. E ninguém nunca mais tocou nesse assunto. João morreu num acidente de moto. João era estúpido, vivia fazendo besteira no trânsito. Mereceu. É o que ele acha. E de saudades do João chorou. Sente falta do seu amigo. Mas só um pouco e chora o tamanho dessa saudade e fecha os olhos para dormir, já que amanhã quer pegar a receita que vai passar na Ana Maria Braga.
Chegou do bar. Pendurou a conta que já deve passar dos 180. O cara só bebe gin tônica. É durango, porém sofisticado. Suas contas bancárias estão em frangalhos. E quer comprar a Playboy da Cléo. Ó Cléo. Ficou de pau duro e puto da vida, ao mesmo tempo. Lembrou da sua única experiência com outro homem. Foi no colegial. Um troca troca que virou uma pequena orgia. Gozaram dentro dele. Seu melhor amigo. Culpa da tequila. João, Marcelo, Aristótles, Pedro, Guitarrinha - os protagonistas da orgia. Não lembra quem comeu quem. Só recorda do João gozando no seu cu. Ficou de puro e puto da vida, ao mesmo tempo. E novamente. Tinha 16 anos. E ninguém nunca mais tocou nesse assunto. João morreu num acidente de moto. João era estúpido, vivia fazendo besteira no trânsito. Mereceu. É o que ele acha. E de saudades do João chorou. Sente falta do seu amigo. Mas só um pouco e chora o tamanho dessa saudade e fecha os olhos para dormir, já que amanhã quer pegar a receita que vai passar na Ana Maria Braga.
André Mans
7 COMENTA!:
Adorei esta crônica da vida. Singela e triste. Cruel e divertida, homeopaticamente! Adorei!
CLAP! CLAP! CLAP!
...gostei.
Quem é que nunca teve esses momentos de insônia, tesão, arrependimentos e saudade? Adorei! Abração Mans
Muito bacana o conto. Divertido e tocante. Parapéns!
Gostei muito do conto. Fantástico. Deveria escrever mais neste estilo. Abração.
Nossa, adorei o conto. Uma coisa meio Rodrigueana....parabéns. Abraços.
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